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22
Set
Aos Artistas do Brasil: Aos moldes de Maria, afável, bondosa e branda
Aos Artistas do Brasil: Aos moldes de Maria, afável, bondosa e branda

A paz de Jesus, meus irmãos!


O fruto de Espírito é afabilidade, bondade, brandura. (cf. Gl 5,22-23)


Naqueles dias, Maria se levantou e foi às pressas às montanhas, a uma cidade de Judá. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Ora, apenas Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança estremeceu no seu seio; e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. E exclamou em alta voz: Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me vem esta honra de vir a mim a mãe de meu Senhor? Pois assim que a voz de tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança estremeceu de alegria no meu seio. Bem-aventurada és tu que creste, pois se hão de cumprir as coisas que da parte do Senhor te foram ditas! (Lc 1,39-45)


Brandura e Afabilidade


Naqueles dias...


Que dias eram esses? Naqueles dias havia acontecido a anunciação do Anjo Gabriel a Maria. Nesses dias o Espírito santo desceu sobre Maria e a força do Altíssimo a envolveu com sua sombra. Maria estava cheia do Espírito Santo e tudo o que Maria fazia, era com certeza movida pelo Espírito. Ela vivia pelo Espírito, por isso andava de acordo com o Espírito. Seu olhar, sua voz, seus gestos, tudo era movido pelo Espírito. E foram nesses dias que Maria foi à casa de Isabel. Ao entrar na casa de Zacarias, saudou Isabel... Que saudação foi essa, a ponto de fazer estremecer uma criança ainda no ventre, e fazer com que Isabel fique cheia do Espírito Santo?


Isabel, narra o percurso: "Pois assim que a voz de tua saudação chegou aos meus ouvidos", Conseguem imaginar isso? Aqui enxergamos a "Brandura", (pode-se entender como: mansidão, doçura, ternura, sem pressa...) Isabel faz questão de dizer de como a voz de Maria chegou aos seus ouvidos. Aqui ela não diz sobre timbre de voz, Isabel fala da ação do Espírito no qual o "veículo" foi a voz de Maria. A Mãe do salvador saúda Isabel com doçura e mansidão e assim, todo o ser de Isabel estremece.


Irmãos, o Batismo do Espírito gera em nós seus frutos, e dois deles são Brandura e a Afabilidade. E no tema que estamos mergulhados esse ano, nos sugere coerência em nossas atitudes. Se vivemos pelo Espírito, andemos de acordo com o Espírito (Gl 5,25). Se o fruto do Espírito é a afabilidade e também a brandura, a pessoa que tem esses frutos é agradável e suave na forma de tratamento. Como isso está relacionado às nossas atitudes? Como é o seu humor? Como você reage àquilo que te contraria? Muitos são extremamente mal-humorados assim que acordam, ou quando são acordados por alguém. Como você reage à uma correção? Você é brando ou se enche de raiva e logo quer se vingar? Como fica a sua expressão na sua face? E quando você vai corrigir alguém, como chega a sua voz aos ouvidos de quem é corrigido? Quantas vezes somos azedos com as pessoas, e elas têm que suportar todo nosso azedume. Quantas vezes somos ásperos, raivosos, rígidos demais, severos em excesso. Faltanos a Brandura, e a Afabilidade, falta-nos o Batismo no Espírito Santo.


Ser afável com o microfone na mão, acolhendo o povo, é realmente o que se espera de um ministro de louvor. Realmente é lindo perceber os irmãos sendo simpáticos, acolhedores, sorridentes. Mas, irmãos, e quando pisa fora da Igreja? Como é seu tratamento com sua esposa ou esposo? Como você fala com seus pais? Já ouvimos tantas vezes pais que reclamam de seus filhos que "não saem da Igreja", mas em casa vivem respondendo e desrespeitando-os. Jovem, o que seus pais podem testemunhar quando a tua voz chega aos ouvidos deles? Esposo, tua esposa pode dizer como Isabel, que ao som da sua voz, ela se encheu do Espírito Santo? Quem trabalha com você irmão e irmã, conhecem esses frutos do Espírito através de suas atitudes? E há quem ainda fala palavrões em nosso meio. Como pode isso ainda? Como achar isso normal? O que sai de nossas bocas, bênção para o próximo, ou maldições, palavrões e fofocas?


Todas as espécies de feras selvagens, de aves, de répteis e de peixes do mar se domam e têm sido domadas pela espécie humana. A língua, porém, nenhum homem a pode domar. É um mal irrequieto, cheia de veneno mortífero. Com ela bendizemos o Senhor, nosso Pai, e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus. De uma mesma boca procede a bênção e a maldição. Não convém, meus irmãos, que seja assim. Porventura lança uma fonte por uma mesma bica água doce e água amargosa? Acaso, meus irmãos, pode a figueira dar azeitonas ou a videira dar figos? Do mesmo modo a fonte de água salobra não pode dar água doce. Quem dentre vós é sábio e inteligente? Mostre com um bom proceder as suas obras repassadas de doçura e de sabedoria. (Tg 3,7-13) Talvez você pode dizer: "Mas esse é meu temperamento, esse é meu jeito". Mas é exatamente por isso que o Espírito Santo vem até nós para nos transformar e controlar nossos impulsos. (Mês que vem falaremos da Temperança que é o autocontrole.)


Bondade


"Maria ficou com Isabel cerca de três meses. Depois voltou para casa." (Lc 1,56)


Isabel estava no seu sexto mês de gravidez, e é esse o momento em que Maria vai à casa dela e fica três meses certamente para ajudar em tudo o que for necessário. Como é impressionante esse ensinamento que Maria nos dá. Ela era a mãe do Salvador, tinha todo o direito de ficar em casa, se cuidando, se reservando de qualquer tipo de esforço. Mas não, vai para casa de Isabel. A palavra não fala o motivo, mas nos dá pistas que nos levam a entender que não foi lá por um acaso, e não foi uma mera visita. Ora, quem vai visitar alguém a ponto dessa visita durar três meses? E Maria fica com Isabel, exatamente num tempo em que as mulheres grávidas têm mais dificuldades para fazer as coisas, pois a barriga já está muito grande, as dores aumentam e a dependência dos outros também. A bondade é também a disposição permanente de fazer o bem ao outro. Também entendemos como benevolência. E foi exatamente o que Maria fez, movida pelo Espírito, Maria foi às pressas fazer o bem. Ela também estava grávida, mas pensou na outra grávida. Quem ela estava esperando, é infinitamente maior que aquele o qual Isabel esperava. Maria, por isso mesmo é movida a fazer o bem.


Inveja


A inveja é a inimiga da bondade. É um dos pecados capitais, um pecado terrível, mas que infelizmente pode existir em nosso meio. É o desejo exagerado por posses, status, habilidades e tudo que outra pessoa tem e consegue. O invejoso ignora tudo o que é e possui para cobiçar o que é do próximo. A inveja é considerada pecado porque uma pessoa invejosa ignora suas próprias bênçãos e prioriza o status de outra pessoa no lugar do próprio crescimento espiritual. A inveja é frequentemente confundida com o pecado capital da Avareza, um desejo por riqueza material, a qual pode ou não pertencer a outros. É uma tristeza! “É por inveja do Demônio que a morte entrou no mundo, e os que pertencem ao demônio prová-la-ão” (Sab. 2,23-24). A inveja é o pecado diabólico por excelência, ela é o inseto da alma que tudo rói e reduz a pó (Santo Agostinho).


Adão conheceu Eva, sua mulher, e ela concebeu e deu à luz Caim, e disse: "Possuí um homem com a ajuda do Senhor". E deu em seguida à luz Abel, irmão de Caim. Abel tornou-se pastor e Caim lavrador. Passado algum tempo, ofereceu Caim frutos da terra em oblação ao Senhor. Abel, de seu lado, ofereceu dos primogênitos do seu rebanho e das gorduras dele; e o Senhor olhou com agrado para Abel e para sua oblação, mas não olhou para Caim, nem para os seus dons. Caim ficou extremamente irritado com isso, e o seu semblante tornou-se abatido. O Senhor disse-lhe: "Por que estás irado? E por que está abatido o teu semblante? Se praticares o bem, sem dúvida alguma poderás reabilitar-te. Mas se precederes mal, o pecado estará à tua porta, espreitando-te; mas, tu deverás dominá-lo". Caim disse então a Abel, seu irmão: "Vamos ao campo". Logo que chegaram ao campo, Caim atirou-se sobre seu irmão e matou-o. O Senhor disse a Caim: "Onde está seu irmão Abel?" Caim respondeu: "Não sei! Sou porventura eu o guarda do meu irmão?" O Senhor disse-lhe: "Que fizeste! Eis que a voz do sangue do teu irmão clama por mim desde a terra" (Gn 4,1-9).


Caim, por ter sido tomado de tanta inveja, fica extremamente irritado e seu semblante ficou abatido. O invejoso, não só mata o outro dentro de si, como também se destrói. O semblante logo fica desfigurado, porque não fica feliz com as qualidades do outro. O invejoso quer ser sempre melhor que o outro em tudo. O fato de fracassar ou não conseguir o sucesso nas ações, abre-se as portas para a inveja, porque ao olhar para o lado, vê o outro que venceu e teve sucesso no que fez.


 


“Terrível mal da alma, vírus da mente e fulminante corrosivo do coração, é invejar os dons de Deus que o irmão possui, sentir –se desafortunado por causa da fortuna dos outros, atormentar-se com o êxito dos demais, é cometer um crime no segredo do coração, entregando o espírito e os sentidos à tortura da ansiedade; destroçar-se com a própria fúria.” (Santo Agostinho)


Para a busca da santidade, precisamos ultrapassar o que é natural e se empenhar na busca do sobrenatural. E o sobrenatural vem do Espírito. Nesse dia de oração, faça novamente o esforço e o exercício de entrar dentro de si, e ter coragem de encontrar em você as invejas que sentiu ou sente. O primeiro passo para a santidade é reconhecer que és pecador. Não tenha medo disso, deixa a luz do Espírito brilhar nas escuridões de sua mente, e revelar as maldades que ainda existem em você. A verdade liberta!


Promover o irmão


Vejam como Isabel se comportou diante de Maria. Ela não poderia sentir inveja? Pelo contrário, olhou para Maria e a exaltou de todo o coração, tanto que se eternizou como oração: Bendita és tu entre as mulheres, e bendito é o fruto do teu ventre (Lc 1,42).


Para promover o irmão é preciso enxergar nele as virtudes. Se ele ainda não as alcançou, precisamos tratá-lo como ele pode ser, não como ele é. Precisamos ter a capacidade de promovê-lo, e entender que ele pode ser muito mais do que é hoje. São Leão Magno nos diz: "Quando todos estiverem cheios de sentimentos de benevolência, o veneno da inveja há de desaparecer inteiramente”.


André, irmão de Pedro, conheceu Jesus primeiro e logo depois foi apresentar seu irmão a Jesus. Mas, o chefe da Igreja foi Pedro. André foi quem promoveu seu irmão. Muitos querem ser Pedro, líder, coordenador, o mais citado dos Apóstolos. Poucos querem ser André, porque não está em evidência. Mas, o que seria de Pedro, sem André para promovê-lo? Veja na multiplicação dos Pães: Um dos seus discípulos, chamado André, irmão de Simão Pedro, disselhe: Está aqui um menino que tem cinco pães de cevada e dois peixes... (Jo 6,8-9 ). Ele poderia muito bem pegar os pães com o menino e apresentar para Jesus. Assim, estaria escrito no Evangelho: "André, apareceu com cinco pães e dois peixes". Mas, André preferiu apresentar a Jesus um menino, (que nem o nome citaram) que tinha ali os seus "dons". Sim, irmãos, parecia pouco, mas era o tudo que o menino tinha. E foi com pouco mas, tudo que menino tinha que se realizou o milagre. Aí, no seu ministério, no seu grupo, na sua Diocese, podem ter os "meninos" que não tem "nomes reconhecidos", mas se você for André na vida deles, o Senhor vai realizar o milagre e saciar a fome de tantas pessoas. Não só escolha os experientes, ajude os "meninos" a ofertarem seus dons, isso é um ato de bondade.


Quando ver algum irmão ou ministério sendo usado por Deus, louve ao Senhor, e encha o seu coração de alegria. Quando perceber que os outros ofertaram ao Senhor seus dons e isso foi superior à sua oferta, converta-se e queira ser melhor. Que os irmãos sejam exemplos para você e que isso não te cause inveja. Sejamos como Isabel, que também estava grávida, mas louvou a Deus pela vida de Maria.


Bondade na Missão


Vimos que a atitude de Maria indo ao encontro de Isabel foi um ato de bondade. A missão de Maria é movida pela bondade e caridade que são frutos do Espírito. Por isso irmãos, a exemplo de Maria, vamos nos preparar para o próximo mês. Outubro é o mês das missões e somos chamados a responder com alegria e bondade a esse apelo da Igreja.


No início deste ano, foi pedido a todos os coordenadores estaduais e diocesanos que em outubro houvesse missões em todas as dioceses. Portanto, você coordenador diocesano do Ministério de Música e Artes, convoque os seus artistas para a missão. Leve os músicos, dançarinos, atores, artistas plásticos para as praças, ruas, escolas, praias, hospitais, asilos, etc. Façamos em todo o Brasil uma grande ação de missão através das Artes. Tenho certeza que o Espírito Santo que habita em nós nos impulsionará para ir além daquilo que estamos acostumados, Ele nos levará para fora das quatro paredes da Igreja, e vamos "onde os homens necessitam da palavra e de força de viver, onde falta a esperança, onde tudo seja triste simplesmente por não saber de Jesus".


P.S. Perdoem-me o tamanho da carta desse mês, mas por se tratar de três frutos do Espírito que se completam, precisei me alongar um pouco mais. Abraços, desse pobre pecador.


 


Juninho Cassimiro


Coordenador Nacional do Ministério de Música e Artes - RCCBRASIL


Fonte: RCCBrasil

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