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28
Ago
CNBB se posiciona sobre descriminalização do uso de drogas
CNBB se posiciona sobre descriminalização do uso de drogas

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) é contrária à descriminalização do uso de drogas. O posicionamento é afirmado em uma nota divulgada nesta quinta-feira, 27, após a reunião do Conselho Episcopal Pastoral da entidade, realizada nesta terça e quarta-feira.


“A não punibilidade do porte de drogas, tendo como argumento a preservação da liberdade da pessoa, poderá agravar o problema da dependência química, escravidão que hoje alcança números alarmantes”, afirma a entidade.


Confira a íntegra da nota:


Nota da CNBB sobre a descriminalização do uso de drogas P- Nº. 0581/15


“Escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e teus descendentes” (Dt 30,19).


A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, através do Conselho Episcopal de Pastoral, reunido nos dias 25 e 26 de agosto, declara-se contrária à descriminalização do uso de drogas. É importante a sociedade inteirar-se desta temática, pois a dependência química representa um dos grandes problemas de saúde pública e de segurança no Brasil.


O uso indevido de drogas interfere gravemente na estrutura familiar e social. Está entre as causas de inúmeras doenças, de invalidez física e mental, de afastamento da vida social. A dependência que atinge, especialmente, os adolescentes e os jovens, é fator gerador da violência social, provoca no usuário alteração de consciência e de comportamento. O consumo e o tráfico de drogas são apontados como causa da maioria dos atentados contra a vida.


A não punibilidade do porte de drogas, tendo como argumento a preservação da liberdade da pessoa, poderá agravar o problema da dependência química, escravidão que hoje alcança números alarmantes.


A liberação do consumo de drogas facilitará a circulação dos entorpecentes. Haverá mais produtos à disposição, legalizando uma cadeia de tráfico e de comércio, sem estrutura jurídica para controlá-la. O artigo 28 da Lei 11.343, ao tratar do tema, não prevê reclusão, mas a penalização com adoção de medidas de reinserção social. Constata-se que o encarceramento em massa não tem sido eficaz. É preciso desenvolver a prática da justiça restaurativa. Isso não significa menor rigor para aqueles que lucram com as drogas.


O caminho mais exigente e eficaz, a longo prazo, é a intensificação de campanhas de prevenção e combate ao uso das drogas, acompanhado de políticas públicas nos campos da educação, do emprego, da cultura, do esporte e do lazer para a juventude e a família. O Estado seja mais eficaz nas ações de combate ao tráfico de drogas.


Com a descriminalização das drogas, a crescente demanda de tratamento da parte de incontáveis dependentes aumentaria muito. A Igreja Católica, outras instituições religiosas e particulares, por meio de casas terapêuticas, demonstram o compromisso com a superação da dependência química e recuperação dos vínculos familiares e sociais ao acolher, cuidar e dar oportunidade de vida nova a milhares de adolescentes, jovens e adultos através da espiritualidade, do trabalho e da vida de comunidade.


Confiantes na graça misericordiosa de Deus e na materna proteção da Virgem de Aparecida, conclamamos o Estado e o povo brasileiro à necessária lucidez no trato deste tema tão grave para a sociedade.


 


Brasília, 26 de agosto de 2015.


Dom Sergio da Rocha


Arcebispo de Brasília-DF


Presidente da CNBB


 


Dom Murilo S. R. Krieger


Arcebispo de São Salvador da Bahia- BA


Vice-presidente da CNBB


 


Dom Leonardo Ulrich Steiner


Bispo Auxiliar de Brasília-DF


Secretário-Geral da CNBB


Fonte: Canção Nova

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